Tarifaço dos EUA: governo brasileiro seguirá negociando, mas avalia que tudo já foi dito; espera ampliação do número de exceções
08/07/2026
(Foto: Reprodução) O governo brasileiro vai seguir negociando com os Estados Unidos para tentar evitar a adoção de novas tarifas contra exportações do país.
O Executivo avalia, porém, que tudo já foi dito e espera pelo menos um aumento do número de exceções na lista dos produtos que ficariam fora do novo tarifaço.
A decisão vai ser do presidente dos EUA, Donald Trump, para quem estão sendo enviados pedidos para que reavalie qualquer intenção de adotar novas tarifas de 25% e 12,5% sobre exportações de produtos brasileiros.
Na visão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se Trump analisar os efeitos danosos para a economia americana, ele vai desistir de adotar essas novas tarifas (leia mais abaixo).
Flávio Bolsonaro chega a audiência nos EUA sobre tarifaço
O prazo termina no dia 15 de julho, semana que vem. A equipe presidencial espera uma decisão final agora, e não um adiamento.
Afinal, um adiamento será uma sinalização política para Flávio Bolsonaro, na busca de dar munição para o pré-candidato do PL usar em sua campanha.
O pré-candidato do PL à Presidência deve permanecer mais alguns dias nos Estados Unidos na busca, segundo sua equipe, de conseguir exatamente um adiamento da decisão sobre o tarifaço.
Seria um gesto político do presidente Donald Trump a favor do senador do PL. Trump, que havia se aproximado de Lula, acabou fazendo acenos para Flávio Bolsonaro ao recebê-lo na Casa Branca.
Ao mesmo tempo, esfriou momentaneamente sua relação com o atual presidente brasileiro.
Um adiamento seria usado como uma vitória de Flávio Bolsonaro, que vem sendo criticado pelo governo Lula, que o acusa de ser um "entreguista", se submetendo aos interesses do governo dos EUA.
Governo vê USTR ‘inflexível'
De acordo com o Itamaraty, as negociações com os Estados Unidos continuam.
Nesse contexto, houve uma nova rodada técnica nesta terça-feira (7), e está prevista para os próximos dias uma reunião de alto nível entre o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), os secretários do Ministério das Relações Exteriores Philip Fox Gough (Assuntos Econômicos) e Maurício Lyrio (Meio Ambiente) com autoridades americanas, entre elas, Jamieson Greer.
A avaliação do Itamaraty, no entanto, é que o escritório do representante comercial americano tem se mostrado “inflexível” aos argumentos técnicos, desconsiderando os números relacionados ao desmatamento, por exemplo, os dados do PIX e não propondo nenhuma alternativa ao Brasil.
Segundo diplomatas, "todos os dados pedidos foram apresentados", mas os documentos que recebidos foram "copia e cola", isto é, conforme relatos, o USTR usou as mesmas informações para anunciar a investigação comercial - em julho de 2025 - e para recomendar as tarifas - no mês passado.
Nesse cenário, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não veem, neste momento, espaço para reversão completa do tarifaço, somente eventuais exceções.
Até o momento, segundo relatos obtidos pela Globonews, não houve sinalização de adiamento que tenha chegado ao Itamaraty.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
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