Saiba como Jaques Wagner teria atuado em benefício do Banco Master, segundo a PF
18/06/2026
(Foto: Reprodução) PF: Jaques Wagner teria recebido apartamento de R$ 2,4 milhões
A decisão judicial que autorizou cumprimento de mandados contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) na manhã desta quinta-feira (18) traz relatos da Polícia Federal que indicam como o senador teria atuado em favor do Banco Master. A ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com o documento, haveria indícios de atuação parlamentar em temas relacionados à matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e na tentativa de fiscalização e controle da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). A ação teria sido em prol também da "Emenda Master", que propunha mudanças no funcionamento do FGC.
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A TV Globo procurou a assessoria do senador, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
A PF identificou, como contrapartida à atuação de Wagner, a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões. Seria a unidade 1.702 do empreendimento Poème Horto, cujos dados teriam sido repassados diretamente de Wagner para Augusto Lima.
Líder do governo no Senado Federal, senador Jaques Wagner (PT-BA)
Carlos Moura/Agência Senado
As tratativas teriam seguido mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, com chamadas de voz, reuniões presenciais, videoconferências e envio de minutas contratuais.
Wagner, que é líder do governo Lula no Senado, teria tratado diretamente com o banqueiro Augusto Ferreira Lima uma proposta para elevar a margem consignável dos salários de trabalhadores regidos pela CLT, para aposentados e pensionistas, além de autorizar para beneficiários do BPC.
O tema virou a emenda n° 30 apresentada à Medida Provisória 1.106/2022, que posteriormente foi convertida em lei.
Também houve, segundo a PF, a articulação para a aprovação da PEC 65/2023, que tinha repercussão sobre o limite de cobertura do FGC. É nessa matéria que Wagner teria atuado em prol da "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Teria havido uma sequência de contatos entre Guilherme Sodré, Daniel Vorcaro, o chefe de gabinete do senador e Augusto Lima.
Em 13 de agosto de 2024, quando a emenda n° 11 é incluída, há uma ligação entre Wagner e Lima de 9 minutos e 19 segundos, com o envio, logo depois, do link da emenda. Em 27 de agosto do mesmo ano, após um encontro presencial, Lima teria reencaminhado o link da emenda.
Apesar da descrição das condutas envolvendo a atividade parlamentar, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), não acolheu o pedido de buscas e apreensão no gabinete de Jaques Wagner.
A PF havia solicitado, mas a Procuradoria-Geral da República havia se manifestado contra.
"Isso porque a realização de medidas como a ora aventada em dependências situadas na sede de outro Poder reclama fundamentação particularmente rigorosa, apta a demonstrar não apenas a participação do parlamentar nos fatos sob apuração, mas também a existência de elementos indicativos de que, naquele espaço funcional, se encontrem provas indispensáveis à investigação, ou cuja obtenção se revele inviável por outros meios", justificou o ministro.
Também não foi autorizado o cumprimento de medidas em escritórios ligados ao mandato de Wagner.
Em entrevista ao programa Estúdio i, em maio, o senador comentou sua relação com os empresários Daniel Vorcaro e Augusto Lima ao abordar a privatização da rede estadual de supermercados Cesta do Povo, realizada durante o governo de Rui Costa, na Bahia.
Segundo o parlamentar, a Cesta do Povo representava um elevado custo para os cofres públicos. Ele afirmou que a rede estatal de supermercados gerava prejuízos anuais entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões ao governo baiano. De acordo com o senador, duas tentativas de venda foram realizadas por meio de leilões na Bolsa de Valores de São Paulo, em 2016 e 2018, mas não atraíram interessado
O senador relatou no programa que as negociações para a privatização ocorreram com o empresário Augusto Lima, e não com Daniel Vorcaro. Segundo ele, à época não conhecia Vorcaro.
“Nós negociamos com o Augusto Lima, que tinha expertise em cartões de serviço e cartões consignados, vendidos para diversos sindicatos em parceria com um empresário espanhol”, afirmou.
Ele explicou que a venda da rede foi concluída em 2018 e incluiu também o chamado Cartão Cesta. O parlamentar destacou que sua participação no processo se encerrou naquele momento, assim como a do então governador Rui Costa. “Eu bato palma para o que fizemos. Privatizamos o absurdo que era uma rede estatal de supermercados”, declarou na entrevista.
Sobre os desdobramentos posteriores do negócio, o senador afirmou que a gestão passou por outras instituições financeiras. “Daí para frente é com o Banco Máxima, que veio depois, e posteriormente com o Banco Master. Se houve ou não irregularidades, a Polícia Federal está investigando”, disse.
Questionado sobre Daniel Vorcaro, o senador reiterou que não tinha relação com o empresário durante a privatização. Segundo ele, Vorcaro passou a integrar o negócio posteriormente, após a saída do sócio espanhol. De acordo com seu relato, Augusto Lima não possuía capital de giro suficiente para continuar as operações de crédito, o que levou à entrada de Vorcaro no empreendimento.
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Defesa de Augusto Lima
A defesa do banqueiro Augusto Lima, alvo da operação desta quinta, enviou a seguinte nota na íntegra:
"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública."
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