‘Quem ganha em Minas leva o Brasil’: veja por que o estado é estratégico para a eleição de presidente

  • 16/04/2026
(Foto: Reprodução)
A ideia de que o candidato à Presidência da República que quer vencer a eleição precisa ter a maioria de votos em Minas Gerais virou uma máxima nas campanhas das últimas eleições. O candidato presidencial que teve mais votos em Minas Gerais nunca perdeu as eleições presidenciais desde 1998, a eleição mais antiga cujos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão disponíveis. Em disputas apertadas como em 2014, 2018 e 2022, os percentuais de votos favoráveis ao presidenciável eleito foram muito semelhantes no Brasil e em Minas Gerais. Por ser considerado um “estado-chave”, pré-candidatos e seus articuladores elaboram estratégias para atrair o voto dos mineiros e se movimentam para garantir aliados e palanques fortes no estado. A máxima se sustenta? O cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que “não há nada científico” nesta máxima e que ela “pode ser desmentida numa próxima eleição”. Entretanto, ele explica que Minas é um “estado diferenciado”, que faz fronteira com outros seis estados e tem regiões muito diferentes entre si que, de alguma forma, espelham outras regiões do Brasil. 🔎 Minas Gerais é segundo maior colégio eleitoral do país, com 16 milhões de eleitores. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o especialista, a região Nordeste de Minas Gerais – como o Vale do Jequitinhonha – é muito semelhante ao Nordeste brasileiro. Já o Sul do estado tende a ser influenciado por São Paulo, assim como a Zona da Mata recebe influência do Rio de Janeiro. Por fim, o Triângulo Mineiro se aproxima muito de Brasília e Goiás. “Pode-se dizer que Minas representa um microcosmos: tem um pouco do Sudeste, um pouco do Centro-Oeste, do Nordeste”, diz. Outro fator, de acordo com Ranulfo, é que a capital Belo Horizonte não costuma ter um peso significativo no resultado eleitoral. “É um estado muito grande, com muitos municípios, e a capital não tem essa força que tem em outros estados. Talvez isso ajude a explicar: cada região com suas características e, de certa forma, é influenciada por cidades e polos mais próximos”, afirmou. Além do fator geográfico, índices socioeconômicos também refletem uma semelhança entre Minas Gerais e o Brasil como um todo. Por exemplo, o IDH do estado, de 0,774, comparado com o do Brasil, de 0,786. Segundo o IBGE, 45,3% da população brasileira se declara parda, 43,5% branca e 10,2% preta. Em Minas Gerais, os percentuais são semelhantes: 46,8% dos mineiros se declaram pardos, 41,1% brancos e 11,8% pretos. Pré-candidatos à Presidência da República em 2026 Ricardo Stuckert/PR; Daniel Cole/Reuters; Roberto Sungi/Ato Press/Estadão Conteúdo; Reprodução/TV Globo; Reprodução/YouTube; Divulgação/Sistema FIEMA; Reprodução/Instagram; Divulgação Estratégia dos pré-candidatos De olho na importância de Minas, os pré-candidatos à Presidência já articulam formas de ter um palanque forte no estado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em busca da reeleição, escalou o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para disputar o governo mineiro. A ideia é que Pacheco seja seu representante durante a campanha e ofereça um palanque político para o petista. Até agora, porém, o martelo não foi batido sobre a sua candidatura e aliados do ex-presidente do Senado Federal dizem que ele deve aguardar até o meio do ano para avaliar a viabilidade da sua candidatura. Caso seja candidato, Pacheco deve enfrenta o sucessor de Romeu Zema (Novo), Mateus Simões (PSD), seu antigo vice e atual governador mineiro. Simões é a aposta de Zema, que também é pré-candidato a presidente, para que seu grupo político continue governando o estado. Nesse contexto, o próprio Zema é cobiçado por outro pré-candidato: Flávio Bolsonaro (PL). Alas do Partido Liberal veem no ex-governador de Minas Gerais o nome ideal para ser candidato a vice-presidente. Outro pré-candidato que já articula planos para atrair o eleitorado mineiro é o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Para se apresentar à população do estado, Caiado aposta na influência de seu novo partido. Ainda não há certeza se Mateus Simões irá apoiar o nome de Caiado, mas a expectativa é que ele tenha palanque nas diversas prefeituras do PSD no estado.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/04/16/quem-ganha-em-minas-leva-o-brasil-veja-por-que-o-estado-e-estrategico-para-a-eleicao-de-presidente.ghtml


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