Oposição critica desfile em homenagem a Lula na Sapucaí

  • 16/02/2026
(Foto: Reprodução)
Veja como foi a primeira noite de desfiles na Sapucaí Parlamentares de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o petista neste domingo (15), sob o enredo "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". Nos dias que antecederam o carnaval, o desfile foi alvo de pelo menos dez ações na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU). Partidos e parlamentares da oposição argumentaram que o enredo era uma propaganda eleitoral antecipada do presidente Lula. Na última quinta-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou uma liminar que pedia a proibição do desfile, mas os ministros alertaram que condutas na avenida poderiam configurar crime eleitoral. Depois desse alerta, o governo recomendou às autoridades que evitassem qualquer manifestação que caracterizasse propaganda eleitoral. Lula e Janja na Sapucaí Havia uma previsão de que a primeira-dama, Janja da Silva, desfilasse em um dos carros alegóricos. No entanto, ela ficou no camarote ao lado de Lula. Em nota, Janja afirmou que tomou a decisão apesar de haver "segurança jurídica para isso", e para evitar "possíveis perseguições à escola de samba e ao presidente Lula." Nesta segunda (16), após o desfile, o Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente. Segundo o presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, "houve propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público". Carro alegórico da Acadêmicos de Niterói no primeiro dia de desfiles do grupo especial do Rio Leo Franco / AgNews Oposição repercute O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, criticou o petista e também disse que vai entrar com uma ação "contra os crimes do PT na Sapucaí". O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a decisão do TSE de não impedir o desfile e afirmou que vai entrar com uma ação de improbidade administrativa no Ministério Público. "E já deixo registrado: se houver registro de candidatura de Lula para presidente, ingressarei com AIJE [ação na Justiça Eleitoral] por abuso de poder político e econômico”, disse o parlamentar. Em nota, o deputado federal Zucco (PL‑RS) afirmou que o carnaval “não é palanque” e defendeu apuração sobre possível abuso político, uso de recursos públicos e desrespeito à liberdade religiosa, citando alegorias que, segundo ele, ridicularizaram adversários e valores cristãos. "A oposição não se furtará ao seu papel constitucional de fiscalização e controle. Serão analisadas, com responsabilidade jurídica, medidas cabíveis junto aos órgãos competentes, incluindo a Justiça Eleitoral e demais instâncias de controle", disse. Homenagem a Lula e menções a Bolsonaro A Acadêmicos de Niterói contou a história do presidente Lula desde a infância no Nordeste, passando pela migração com a família para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical, até a Presidência da República. A comissão de frente levou para a Sapucaí uma representação da rampa do Palácio do Planalto, lembrando a última posse de Lula, ao lado de integrantes da sociedade civil. Atores e bailarinos também representaram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. O carro abre-alas representou a região onde o presidente Lula nasceu: o agreste pernambucano, com uma mistura de exuberância e escassez. Em um dos carros, a escola trouxe uma crítica às políticas sociais da época do governo Bolsonaro e à forma como ele enfrentou a pandemia. Na parte traseira, o carnavalesco fez uma referência à prisão do ex-presidente. Acadêmicos de Niterói contou a história de Lula e fez representação do ex-presidente Jair Bolsonaro Reprodução/TV Globo Em um post nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reproduziu a imagem do carro alegórico que fazia referência ao ex-presidente e disse: "Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião". O senador Sergio Moro (União‑PR) disse que houve "abuso de poder" e disse que o desfile trouxe cenas de regimes autoritários. Após o desfile, Lula publicou uma mensagem nas redes sociais sobre sua participação no carnaval no Rio, no Recife e em Salvador. "Depois de passar pelo carnaval de Recife e de Salvador, estive no Rio de Janeiro, na Sapucaí. Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção", escreveu. O presidente desceu do camarote para cumprimentar o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói. Ao longo da noite, repetiu o gesto com integrantes de outras escolas. O presidente Lula viu o desfile ao lado do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, no camarote da prefeitura João Salles/Riotur Família em conserva Parlamentares de oposição também criticaram a ala do desfile chamada de "Neoconservadores em Conserva", que apresentou fantasias de pessoas vestidas de lata com o rótulo que dizia "família em conserva" e a imagem de um casal hétero com duas crianças. Pelas redes sociais, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse para os evangélicos lembrarem da fantasia quando forem votar. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) que a ala "ridicularizou a igreja evangélica". "São latas de conserva, como se estivéssemos em conserva. Usar verba pública para ridicularizar a Igreja Evangélica é inadmissível. O governo Lula recebeu o roteiro do desfile. O governo Lula sabia cada ala que iria desfilar", afirmou A presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, afirmou que o que foi apresentado era conhecido e "feriu milhões de brasileiros". "A fé cristã foi exposta ao escárnio em nome da cultura travestida de politicagem". Notícia-crime O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) protocolou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo apuração sobre uma possível prática de vilipêndio religioso durante o desfile. O crime, previsto no Código Penal, é definido como "Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo" e prevê pena de um mês a um ano de detenção ou multa. “O artigo 208 do Código Penal tutela a liberdade religiosa, que é garantia fundamental prevista na Constituição. Quando símbolos sagrados são utilizados em contexto que pode caracterizar escárnio público, é dever das instituições apurar com rigor e responsabilidade”, afirma o deputado na petição. Segundo o parlamentar, o desfile associou a Bíblia a um contexto que pode configurar exposição vexatória dirigida a grupo identificável por sua crença. Para Rodolfo Nogueira, a iniciativa busca garantir o respeito à liberdade religiosa e preservar o equilíbrio entre a liberdade de expressão artística e a proteção constitucional às crenças e aos objetos de culto. PT rebate Ainda na tarde de segunda-feira (16), o Partido dos Trabalhadores publicou uma nota rebatendo as críticas feitas pela oposição e afirmando que "não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio". O partido ainda justificou que a homenagem feita ao presidente Lula não configura propaganda antecipada, já que foi "realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral, inexistente no caso". Leia a nota completa O Partido dos Trabalhadores esclarece, diante de questionamentos públicos sobre o desfile carnavalesco que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que: 1. O enredo apresentado é manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural, plenamente assegurada pela Constituição Federal. A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação, financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores ou do presidente Lula. 2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral é firme no sentido de que manifestações políticas e culturais espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos. 3. Nos termos do art. 36-A da Lei das Eleições, não configura propaganda eleitoral antecipada a mera exaltação de qualidades pessoais de agente político, sobretudo quando realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral, inexistente no caso. 4. O Tribunal Superior Eleitoral já analisou as medidas judiciais apresentadas sobre o tema, indeferindo pedidos liminares. As demais iniciativas judiciais foram indeferidas. 5. À luz desses elementos, não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio. 6. O Partido dos Trabalhadores reafirma que atua em estrita observância à legislação eleitoral, tendo orientado previamente seus filiados e apoiadores quanto às regras aplicáveis ao período de pré-campanha. O Partido reitera seu respeito às instituições e à Justiça Eleitoral, confiante na prevalência da Constituição, da liberdade artística e da segurança jurídica.

FONTE: https://g1.globo.com/carnaval/2026/noticia/2026/02/16/oposicao-critica-desfile-em-homenagem-a-lula-na-sapucai.ghtml


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