Mortes cometidas por policiais crescem 4,5% no Brasil, com 18 casos por dia em 2025

  • 03/02/2026
(Foto: Reprodução)
Mortes cometidas por policiais crescem 4,5% no Brasil O Brasil teve aumento de 4,5% nas mortes cometidas por policiais em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça. Foram 6.519 pessoas foram mortas pelas polícias de todos os estados durante o ano passado. Por outro lado, houve queda nas mortes de policiais e também nos casos de suicídio envolvendo agentes de segurança, na comparação com 2024 (leia mais abaixo nesta reportagem). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os dados, que indicam a primeira alta no indicador desde 2021, foram atualizados nesta terça-feira (3) e são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao ministério, responsável pela divulgação. Em 21 de janeiro, levantamento do g1 com a mesma base de dados revelou que o Brasil registrou queda no número de mortes violentas pelo quinto ano seguido. São consideradas mortes violentas os homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte. As mortes cometidas por policiais são contadas separadamente. Em 10 anos, houve um aumento de 170% nesses casos. Bahia (1.569), São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798) são os estados que registraram a maior quantidade de mortes cometidas por policiais em 2025. Veja abaixo: O RJ teve a maior alta, de 13%. No fim de outubro, uma megaoperação policial contra criminosos do Comando Vermelho terminou com 121 mortos, sendo 117 suspeitos e quatro policiais. Imagem de drone mostra corpos levados a praça no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 29 de outubro de 2025. Ricardo Moraes/Reuters Já as maiores taxas de mortes a cada grupo de 100 mil habitantes são do Amapá (17,11), Bahia (10,55) e Pará (7,28). Leia também: Brasil registra recorde de feminicídios em 2025 Persiste lógica de eliminar pessoas indesejadas, diz policial aposentado Viaturas da Polícia Militar de São Paulo - PM de SP Divulgação/SSP Tenente-coronel aposentado da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Adilson Paes de Souza avalia que os números de letalidade policial indicam que há a "continuidade de uma lógica de política de segurança pública cujo foco é a eliminação de pessoas classificadas como marginais, criminosas, bandidos ou como queiram chamar". "Persiste também a ideia de que não se trata de algo ideológico de uma determinada corrente política. Esquerda e direita navegam nas mesmas águas, apostam na letalidade", diz. Para exemplificar, o policial reformado cita que o estado com maior letalidade policial do país é comandado por um governo do PT, enquanto os segundo e terceiro são do PL e do Republicanos, cujos governadores são aliados de Jair Bolsonaro (PL). Operação policial em Salvador Polícia Civil Diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo considera que políticas para dar alternativas de armas não-letais aos policiais tem tido pouco efeito por decisão dos estados. "Continuamos tendo no Brasil patamares muito altos de uso da força policial, ainda que tenham projetos de uso da força para ter recursos alternativos à força letal. Mas essa não é uma preocupação dos estados em geral", afirma. Mortes e suicídios de policiais Enquanto as mortes cometidas por policiais cresceram, as mortes de agentes de segurança registraram queda em 2025: foram 185 casos, uma redução de 8% comparando a 2024. O Rio de Janeiro registrou 77 mortes, quase 42% do total e uma alta de 35% comparado aos 57 casos do ano anterior. Em 2024, o estado representava 28% dos policiais mortos em todo o país (foram 57 dos 202 casos registrados). Em relação a ações com mortes de pessoas e policiais, Carolina Ricardo cita a megaoperação com 121 mortos (117 suspeitos e 4 policiais) nos Complexos da Penha e Alemão, no Rio de Janeiro, em outubro do ano passado. "Ações que expõe os policiais, ações violentas, operações em comunidades conflagradas, tudo isso pode expor, sim, os policiais. Como vimos na operação Contenção no ano passado", afirma. "Junto com isso, [vivemos em] uma sociedade que de uma forma geral muitas vezes tolera a ideia de que não tem muito o que fazer e a polícia tem que matar, mesmo". O número de suicídios de policiais também apresentou queda: passou de 151 para 131, redução de 13%. No entanto, os números indicam que um agente de segurança comete suicídio a cada três dias no Brasil. São Paulo apresentou alta de 65% nesse tipo de ocorrência, que passaram de 17 para 28. Já o Rio de Janeiro teve queda de 60%, de 18 para 7 suicídios registrados em 2025. Nos últimos dez anos, o Brasil perdeu 1.303 agentes de segurança pública vítimas de suicídio. A maioria era policial militar (865 casos, ou 64% do total) e policiais civis (237, ou 18% do total). "Em resumo, continua matando muita gente, continua morrendo muitos policiais e ninguém está ficando seguro. Nós temos uma espetacularização das mortes produzidas pela polícia e temos cada vez mais a aposta na letalidade no confronto, como sinônimo de eficiência de uma política estatal de segurança pública", afirma Adilson Paes de Souza.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/03/mortes-por-policiais-crescem-45percent-no-brasil-com-18-casos-por-dia-em-2025.ghtml


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