Em meio a restrições dos EUA, Brasil envia ajuda humanitária para Cuba
18/03/2026
(Foto: Reprodução) O governo brasileiro organizou uma operação para enviar ajuda humanitária a Cuba, segundo interlocutores do governo federal.
Agora o país espera que um navio cubano chegue ao Brasil para buscar o apoio emergencial, de medicamentos e alimentos.
O país caribenho sofre com restrições e bloqueios por parte dos Estados Unidos (entenda mais abaixo).
Não é a primeira ajuda enviada neste período. Há cerca de 15 dias, o governo brasileiro já havia encaminhado uma remessa de medicamentos para Cuba. As ações de cooperação humanitária do Brasil são coordenadas pela Agência Brasileira de Cooperação, em contato com diversos ministérios, que viabilizam as doações.
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Desta vez, ainda segundo interlocutores, além de remédios, a carga inclui alimentos.
Neste mês de março, o Brasil também enviou medicamentos para a Bolívia. Em outras ocasiões, o país já destinou ajuda humanitária a nações como o Haiti e a Jamaica, que sofreram com os impactos de furacões.
Entre os principais produtos que vão nessa remessa de ajuda, geralmente estão medicamentos da atenção básica, como antibióticos, analgésicos e insumos hospitalares, além de alimentos não perecíveis para reforçar a segurança alimentar da população.
As doações foram reunidas pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, comandados pelos ministros Alexandre Padilha e Paulo Teixeira.
Veja o que foi doado para Cuba:
Primeira remessa - há 15 dias
duas toneladas e meia de medicamentos
Segunda remessa - Governo espera a chegada de um navio do governo cubano
80 toneladas de medicamentos, principalmente de combate a arboviroses e antifúngicos;
20 mil toneladas de arroz com casca;
150 toneladas de feijão-preto;
200 toneladas de arroz polido;
500 toneladas de leite em pó.
Tradição diplomática
O Brasil tem uma tradição consolidada de atuação em ajuda humanitária, pautada por princípios de:
solidariedade
cooperação internacional
não intervenção.
Ao longo dos últimos anos o Brasil tem prestado apoio a nações afetadas por desastres naturais, crises sanitárias ou dificuldades socioeconômicas, como ocorreu em missões no Haiti, após o terremoto de 2010, e em ações de assistência à Bolívia e à Jamaica.
Nesse mês de março, o Brasil já ajudou outros países da região.
Bolívia
Para o tratamento de leishmaniose, doença de Chagas e tuberculose:
40 mil doses de antimoniato de meglumina;
20.160 comprimidos do medicamento benznidazol 12,50mg;
5 mil comprimidos de rifampicina 300mg.
Uruguai
O Brasil doou 10 mil testes rápidos para o diagnóstico da leishmaniose visceral canina ao Uruguai, num trabalho em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde no enfrentamento de doenças que afetam humanos e animais.
Bahamas
O Brasil doou às Bahamas dez purificadores de água portáteis e 1 “kit” de insumos para a saúde básica. Os purificadores doados são capazes de produzir mais de 5 mil litros de água por dia. Bahamas vem se reestruturando após a passagem do furacão Melissa, em outubro de 2025.
Incidente em meio a tensão entre EUA e Cuba, após a imposição de embargo petrolífero à ilha por Washington
CTK Photo/IMAGO via DW
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Crise em Cuba
Nessa semana, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que para jornalistas na Casa Branca que acredita que terá a "honra" de tomar Cuba.
O sufocamento atual de Cuba também está diretamente ligado à política adotada pelo governo de Donald Trump, que intensificou as sanções econômicas contra a ilha.
Nos últimos meses, os Estados Unidos ampliaram o embargo com medidas mais duras, como restrições ao envio de petróleo e inclusive pressionando outros países a não abastecerem Cuba e novas barreiras comerciais e financeiras.
Essa estratégia, chamada de “pressão máxima”, tem reduzido drasticamente o acesso do país a energia, crédito e comércio internacional, agravando a crise interna.
Como consequência, Cuba enfrenta apagões frequentes, escassez de combustíveis e colapso em serviços essenciais, aprofundando a crise humanitária vivida pela população.