Defesa de Bolsonaro volta a pedir prisão domiciliar humanitária

  • 11/02/2026
(Foto: Reprodução)
Os advogados de Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado e preso em Brasília, voltaram a pedir nesta quarta-feira (11) que o ministro Alexandre de Moraes conceda ao ex-presidente o direto de cumprir a pena em casa, por razões humanitárias. Em relatório enviado a Moraes, a defesa diz que Bolsonaro sofre de multimorbidade crônica, com a coexistência de problemas cardíacos e respiratórios, além de sequelas de cirurgias abdominais, e está sob risco. 📱 Acesse o canal da Sadi no WhatsApp Moraes havia dado cinco dias para que a defesa se manifestasse a respeito do laudo médico elaborado pela Polícia Federal (PF) sobre a saúde do ex-presidente, que cumpre pena no presídio da Papudinha. Laudo da PF diz que Bolsonaro tem condição de ficar na Papudinha No novo parecer, a defesa argumenta que o ambiente carcerário é inadequado para o tratamento necessário, já que a situação de Bolsonaro exige vigilância médica constante, dietas rigorosas e tratamento contínuo contra apneia do sono. "Embora o ambiente carcerário tenha recebido adaptações específicas e esforços para atender às necessidades do peticionário [Bolsonaro], o próprio conjunto probatório revela que tais providências não afastam, de modo suficiente, o incremento concreto de riscos clínicos, seja pela limitação estrutural inerente ao cárcere, seja pela dependência de arranjos contingentes e de difícil manutenção no tempo", afirma a defesa. "Nesse contexto, o ambiente de custódia permanece objetivamente mais perigoso do que o ambiente domiciliar adequadamente estruturado, no qual é possível assegurar maior previsibilidade, continuidade terapêutica e resposta imediata a intercorrências." A defesa listou pedidos adicionais para garantir a saúde do ex-presidente caso o pedido principal de prisão domiciliar seja negado: Monitoramento contínuo: acesso ininterrupto a profissionais de saúde e familiares para identificar sinais de queda ou descompensação; Infraestrutura para exames: garantia de deslocamento imediato e realização periódica de tomografias, Doppler e endoscopias; Fisioterapia noturna: adaptação das sessões para o período da noite para indução ao sono e controle de crises de soluços. A manifestação da defesa de Bolsonaro ocorre após uma perícia da PF avaliar as condições da custódia na Papudinha. No laudo anterior, a PF indicou que o ambiente estava adequado para o ex-presidente e possuía protocolos de pronta resposta para urgências. O próprio Bolsonaro chegou a declarar que as condições da cela na Papudinha são melhores do que as salas onde ficou custodiado anteriormente na sede da Polícia Federal, citando maior espaço e circulação de ar. Contudo, os advogados rebatem a análise da PF afirmando que o ambiente carcerário, por natureza, impede a "implementação adequada das recomendações médicas", como a dieta fracionada em seis refeições e o uso correto do equipamento de CPAP para apneia grave. A defesa sustenta que a continuidade do tratamento na prisão compromete a evolução funcional do paciente, tornando tecnicamente necessária a transferência para o regime domiciliar. Argumentos da defesa No pedido da defesa de Bolsonaro, há relatório do fisioterapeuta Kleber Antônio Caiado de Freitas, que acompanha o ex-presidente. Ele alerta para a perda de funcionalidade do tratamento realizado não é suficiente, destacando a necessidade da realização de técnicas específicas, como o agulhamento a seco e programas de fortalecimento muscular, recursos que, segundo o documento, apontam que o ambiente da prisão impediria de realizar plenamente. Além disso, a defesa utiliza as sequelas das cirurgias abdominais para apontar um risco de obstrução intestinal súbita, argumentando que crises de soluços persistentes durante a noite podem evoluir para um quadro grave sem socorro imediato. Outro ponto da nova petição é a crítica ao que os advogados chamam de improviso para manter a saúde do ex-presidente. A defesa sustenta que a presença de uma UTI móvel do SAMU e de um médico exclusivo na porta do batalhão da PM comprova a gravidade da situação. Na visão dos advogados, se o local de custódia exige esse aparato de emergência ininterrupto, é porque ele não oferece a segurança necessária para o paciente. Além do histórico político, o documento alega que a complexidade do tratamento de Bolsonaro impede o chamado "autocuidado" no ambiente prisional. Os advogados reforçam que a gestão de equipamentos médicos, como o CPAP para apneia, e a necessidade de uma dieta específica e fracionada não podem ser realizadas adequadamente pelo próprio detento no isolamento. A defesa argumenta que submeter um paciente com "fragilidade clínica" a essas limitações estruturais retira a dignidade da execução da pena e transforma a prisão num risco de vida constante. Defesa diz que caso de Collor seria precedente A petição utiliza como argumento jurídico a comparação com o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello. A defesa sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) já estabeleceu precedentes ao conceder benefícios de prisão domiciliar a ex-chefes de Estado e réus que apresentam quadros de saúde delicados ou idade avançada. No entendimento dos advogados, o princípio da isonomia deve ser aplicado para garantir que Bolsonaro receba o mesmo tratamento jurídico dispensado a Collor, evitando que a manutenção do cárcere agrave de forma irreversível suas patologias crônicas. Para os advogados, o caso de Collor exemplifica como o Judiciário deve agir para preservar a dignidade da pessoa humana quando o sistema prisional não consegue oferecer o acompanhamento médico específico que a idade e o histórico clínico exigem. O documento reforça que a concessão da domiciliar para Bolsonaro não seria um privilégio inédito, mas a aplicação de uma jurisprudência já utilizada pela Corte em situações de risco à saúde de figuras de relevância política similar. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi citado em comunicação que estava nos arquivos Epstein. Getty Images via BBC

FONTE: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/02/11/defesa-de-bolsonaro-prisao-domiciliar-humanitaria.ghtml


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