'Candidato é Jair Bolsonaro, Flávio é um delegado dele', diz José Dirceu
'Candidato é Jair Bolsonaro, Flávio é um delegado dele', diz José Dirceu
O ex-ministro José Dirceu (PT) criticou a pré-candidatura à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e afirmou que o candidato contra a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é Jair Bolsonaro (PL), e não o senador.
"O candidato é o Bolsonaro. É o Jair Bolsonaro. Flávio é um delegado dele, assim como o Tarcísio foi um delegado dele. Eles não têm vida própria nem liderança própria. Flávio não é uma liderança. Ele é filho do Bolsonaro e representa o eleitorado conservador bolsonarista", disse Dirceu em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, nesta quarta-feira (14).
📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp
Dirceu foi chefe da Casa Civil de 2003 a 2005, no primeiro governo Lula, e deixou o cargo em meio ao escândalo do Mensalão; teve o mandato de deputado cassado e cumpriu pena. Na Lava Jato, foi preso e condenado a 23 anos de prisão, acusado de envolvimento em um esquema de corrupção na Petrobras. As condenações foram anuladas pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2024.
No mês passado, anunciou que é pré-candidato a deputado federal por São Paulo e que vai voltar à disputa eleitoral após 24 anos.
Lula x Flávio Bolsonaro
O ex-ministro fez considerações sobre as chances de Flávio Bolsonaro vencer Lula no 1º turno e apontou que, para isso, ele precisaria conquistar o eleitorado de outros pré-candidatos, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
"O Caiado vai tirar voto do Flávio Bolsonaro. Eu diria que para o Flávio Bolsonaro ganhar essa eleição no primeiro turno, ele precisa tirar 4% do Lula, tirar todos os votos do Caiado e do Zema. Não é nem possível que essa eleição seja resolvida no primeiro turno".
Ao falar sobre o cenário eleitoral nos estados, Dirceu destacou as regiões Sul e Sudeste.
"Mudou a situação em São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas para nós, porque é no Sudeste que se ganha eleição. Mesmo que percamos a vantagem que temos no Nordeste, a nossa situação no Sudeste é bem melhor. E, no Sul, nem se fala, porque a direita está dividida no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, e nós temos chapas consistentes nos três estados."
Ao ser questionado sobre o atual desgaste na opinião pública em relação ao STF, após as recentes revelações sobre a relação de ministros com o Banco Master e com o banqueiro Daniel Vorcaro, e se esse cenário contamina a visão sobre o governo, Dirceu chamou a atenção para a coalizão em torno da candidatura de Lula.
"Pode estar contaminando, mas não creio que isso se sustente, porque o que vai resolver a eleição? Primeiro, nós temos candidato, que é o Lula. Já falei que é zero a possibilidade de ele não ser candidato. Estamos organizando os palanques e já temos uma coalizão com PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, PSOL, Rede, quase metade do MDB, um terço do PSD e lideranças importantes do União Brasil, como Fufuca, Silvio Lopes e o ex-ministro Sabino."
Quadro político do PT
'Haddad tem condições de ganhar eleição em SP', diz Dirceu
Dirceu também foi questionado sobre uma possível dificuldade do PT em renovar seu quadro político e, em resposta, citou os efeitos do mensalão e da Lava Jato.
"Não houve renovação inclusive por causa do mensalão e da Lava Jato. No mensalão, o PT perdeu seu presidente, secretário-geral e tesoureiro, além do presidente da Câmara, do líder do governo, do líder do PT e de cinco ministros de Estado. A Lava Jato praticamente tirou da vida política centenas de quadros que tínhamos nas estatais e no primeiro escalão do governo. Sofremos um processo de repressão de 2013 a 2019, política, porque houve um golpe, a prisão do Lula, que foi anulada, mas houve. Passamos por um certo trauma", analisou o ex-ministro.
Dirceu também comentou a sensação de insatisfação dos brasileiros. "A imagem do Lula continua excelente. A insatisfação que se tem é boa, natural, pelo modo de vida, pelas desigualdades e pelos problemas que uma mãe e um pai de família enfrentam no dia a dia", prosseguiu.
Questionado sobre quem pode ser uma nova liderança do PT, Dirceu citou o papel do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.
"Se for pensar imediatamente em um candidato, é o Haddad. Ele vai disputar o governo de São Paulo. Minha avaliação e eu defendi junto a ele meses que ele fosse candidato, poque ele não vai chegar em 2030 sem passar por 2026 em São Paulo. Ele tem condições de ganhar esse governo de São Paulo. Essa eleição vai ser de igual para igual com Tarcísio de Freitas".FONTE: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/04/14/jose-dirceu-entrevista-globonews.ghtml