Após início da guerra no Oriente Médio, Tesouro Nacional recompra quase R$ 50 bilhões em títulos e ajuda a conter alta no juro futuro

  • 19/03/2026
(Foto: Reprodução)
A Secretaria do Tesouro Nacional comprou nesta semana R$ 49 bilhões em títulos públicos, que haviam sido colocados nos últimos anos no mercado financeiro, por conta dos efeitos da guerra no Oriente Médio. Trata-se da maior operação de recompra já realizada pela instituição. Oficialmente, o Tesouro informa que o objetivo da atuação é "oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos". A taxa Selic, fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que atualmente está em 14,75% ao ano, tem efeito somente no curto prazo. Já a curva de juros do mercado futuro, afetada pelos leilões do Tesouro Nacional, é definida pelas condições do mercado (oferta e demanda). O cenário global das últimas semanas, com a eclosão da guerra no Oriente Médio, pressionou para cima a curva de juros. 🔎Em termos práticos, ao recomprar papeis do mercado financeiro, o Tesouro Nacional aumenta a demanda por esses títulos, o que eleva o seu preço e, consequentemente, diminui sua taxa de juros. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como esses papeis têm prazos longos, seus juros servem de base para a chamada "curva", ou seja, as apostas do mercado para os próximos anos. A atuação tem o efeito, portanto, de injetar "liquidez" ao mercado financeiro, ou seja, liberar recursos aos bancos, e, com isso, conter movimento desordenado de pressão altista na curva de juros — que serve de base para o mercado fixar as taxas cobradas nos empréstimos a empresas e pessoas físicas. "Acho que o Tesouro agiu corretamente. O mercado estava apreensivo e sem como dar saída para títulos que naturalmente estavam perdendo valor diante do novo cenário para os juros, em razão dos efeitos da guerra. As intervenções de recompra foram corretas. Sim, são volumosas, mas o Tesouro provavelmente até saiu no lucro nessas operações. Com isso, normaliza-se o mercado É a decisão típica para momentos como esse", avaliou o economista-chefe da Warren Brasil, Felipe Salto. Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters Impacto da guerra O início da guerra no Oriente Médio têm pressionado o mercado internacional de energia, com disparada no preço do petróleo para um patamar acima de US$ 100 por barril (contra US$ 72 antes do conflito). A alta do petróleo, por sua vez, já está impulsionando os preços dos combustíveis no país pelo aumento do diesel, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes da gasolina. A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já subiu na semana passada. A preocupação imediata, segundo analistas, é com a falta de abastecimento de diesel no país, além do impacto do aumento dos preços no dólar e na inflação. O que já está resultando em um cenário de corte menor dos juros básicos da economia. Nesta quinta, o Banco Central (BC) avaliou que o cenário global "prospectivo" (futuro) "segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais", ou seja, subida do petróleo, pressão sobre o dólar, os juros futuros e impacto na bolsa de valores - que opera em queda hoje. "As incertezas associadas ao reposicionamento das políticas econômicas, aos eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação se intensificaram. Somam-se a essas incertezas, aquelas relacionadas aos níveis de equilíbrio das taxas de juros no longo prazo, à sustentabilidade fiscal de economias centrais e à valorização dos ativos de risco", avaliou o BC.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/19/apos-inicio-da-guerra-no-oriente-medio-tesouro-nacional-recompra-quase-r-50-bilhoes-em-titulos-e-ajuda-conter-alta-nos-juros-futuros.ghtml


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